quinta-feira, 28 de julho de 2011

CRÓNICA - UMA QUESTÃO DE BOLSOS...


    Ando meio fugida destas lides...e como quero manter o contacto frequente com todos aqueles que me seguem, decidi criar uma nova etiqueta.
    Desta forma, além de manter as publicações mais frequentes, poderei ainda dar mais um pouco de mim a conhecer.
     Tenho um gosto especial em ler crónicas.
     Por isso, aqui fica...esta saída na rubrica "os homens precisam de mimo", da revista de Domingo do Correio da Manhã.
     Autor? João Miguel Tavares

     " Entre os grandes mistérios da mente feminina convém incluir este: a alergia à utilização dos bolsos das calças.
         Embora as calças das senhoras sejam fornecidas com bolsos, tal como as dos homens, trata-se de um manifesto desperdício de tecido. Só mesmo por algum trágico engano, ou por uma urgência desmedida, é que qualquer objecto - seja um porta- chaves ou um porta- chaves - se aloja naqueles orifícios, que a nós homens parecem tão úteis mas que as mulheres protegem ferozmente de qualquer espécie de intrusão. Dir-me-ão as carissimas leitoras com infinita paciência: "por alguma razão nós andamos com malas, não é?  Se existe uma mala para quê usar os bolsos das calças?"
 Bom sobre o tema das malas já escrevi uma crónica neste espaço, onde expunha as suas propriedades de buraco negro: sabe-se o que entra,  nunca se sabe o que sai. Estou, aliás, convicto de que a produtividade do país aumentaria exponencialmente se as mulheres abandonassem as suas malas, tendo em conta o tempo  a tentar encontrar chaves, eyeliners ou cartão crédito.
         Mas não me quero desviar da questão central, dada a sua manifesta importância. A verdade é que existem situações - por exemplo, uma ida ao cinema, em que é preferível não deixar a mala no chão; ou uma passagem rápida pelo supermercado comprar iogurtes - em que a senhora entende ser preferível deixar a mala no carro. Nesses casos, surge o inevitável pedido dirigido ao chaperon:  ""Levas-me isto?" (sendo "isto" o telemóvel ou a carteira). E assim, para a senhora não tenha de profanar o bolso das suas calças, lá temos nós de andar com um par de chumaços protuberantes debaixo das ancas contendo dois telemóveis, duas carteiras, dois molhos de chaves, e por aí fora. 
Com a minha excelentíssima esposa isto é realmente assim, mas como eu sou um amador em matérias de antropologia feminina, fiz um inquérito alargado às senhoras que comigo trabalham. E todas elas confirmaram: os bolsos das suas calças não são para serem usados. Em caso de loucura total, uma colega minha admitiu "um telemóvel no bolso, mas durante não mais de dez minutos", como se estivesse a falar de um produto perecível, que começaria a cheirar a peixe se não fosse removido com a devida urgência. Temos de nos conformar, colegas homens: há mistérios femininos que nos estão definitivamente vedados."

6 comentários:

isa disse...

Claro que me encantei a ler!
Claro que já esperava isso de ti,q.
tens boas ideias!
Comigo foi sempre o contrário:na minha bolsa levava a carteira,os cigarros(eu ñ fumo)o isqueiro...do
meu marido,etc e tal.
Beijo.
isa.

mfc disse...

Gostei deste humor irónico!
E achas que é verdade?
Isto é quase um inquérito... Ehehehehe!

Sónia Alexandra disse...

Isa, este tipo de crónica é fantástica. Desta forma podemos, sorrir.
MFC, temos de admitir, que no fundo há uma raiz de razão em tudo o que fica dito...quem não tem malas que são autênticos armazéns e qual é a mulher que usa os bolsos das calças para transportar o que quer que seja?

Sónia Alexandra disse...

Isa, este tipo de crónica é fantástica. Desta forma podemos, sorrir.
MFC, temos de admitir, que no fundo há uma raiz de razão em tudo o que fica dito...quem não tem malas que são autênticos armazéns e qual é a mulher que usa os bolsos das calças para transportar o que quer que seja?

paula MARIANA disse...

Adorei esta nova faceta do teu blogue querida Sónia e começas com uma crónica bem interessante.
Na minha mala vai cabendo tudo, as minhas coisas que não são poucas hehehe e ainda como se não bastasse as do marido (telemoveis e chaves e quando não quer que lhe guarde a carteira e os óculos) engraçado que depois ao entrarmos em casa e procuro as chaves ainda tem o desplante de me dizer em jeito irónico: "é sempre a mesma coisa mas que baú ai tens que nunca encontras nada?

Já nos bolsos nada guardo..

beijokas!!

Anónimo disse...

Isso é mesmo verdade. Quando compro calças de ganga coso-lhe logo os bolsos e até corto o tecido excedente para "não encher". Aliás, mesmo nos homens detesto ver os bolsos cheios de coisas. Parece que foram roubar laranjas !!!:) Ah! E também detesto ver homens de mãos nos bolsos, principalmente em ambiente de trabalho. Parece que não têm nada para fazer. Bolsos só nos aventais !!!
Fernanda